Amar é ser prisioneiro de um olhar
é ser cumplice de uma voz
pretender mais momentos a sos
é querer e não conseguir falar...
é ver beleza no obscuro
unidos ultrapassar o muro
ter a esperança na palma da mão
é estar acorrentado a um coração
é usar lentes coloridas neste mundo cinzento
é sonhar mais alto que o voo da pomba
é não travar perante a lomba
é viver de cada lamento...
é ouvir música no ruído
é ver amor no abstracto
tentar alcançar a perfeição em cada acto
é esconder de todos aquele pequeno grande gemido
é corar involuntariamente
é chorar quando se tem de esquecer
é querer contemplar com o amado o amanhecer..
é a definição do impossível,
é a caracterização do inacreditável,
é uma forma de estar, um estado de espírito
incurável, intocável.
Saturday, March 15, 2008
Wednesday, February 20, 2008
medo...
Sentimento com a tal fatal essência
Atacante das almas desprevenidas
As quais, nao tendo duas vidas,
se rendem à simplicidade complexa da evidência...
Mas, como toda a regra tem excepção,
Como existe sempre um senão,
Talvez por amarras ao passado
Talvez por temor ao que vem
Um simples alguém recuou
E um coração desafortunado despedaçou...
medo...
"paralisante eficaz"
palavra singular com pluralidade de sentido
Solta-te do meu caminho!
Larga o meu destino!
Não quero este fim...
Digo-te: vai por entre as chamas e arde
antes que para tudo seja demasiado tarde
antes que o meu amor se esqueça de mim...
Atacante das almas desprevenidas
As quais, nao tendo duas vidas,
se rendem à simplicidade complexa da evidência...
Mas, como toda a regra tem excepção,
Como existe sempre um senão,
Talvez por amarras ao passado
Talvez por temor ao que vem
Um simples alguém recuou
E um coração desafortunado despedaçou...
medo...
"paralisante eficaz"
palavra singular com pluralidade de sentido
Solta-te do meu caminho!
Larga o meu destino!
Não quero este fim...
Digo-te: vai por entre as chamas e arde
antes que para tudo seja demasiado tarde
antes que o meu amor se esqueça de mim...
Sunday, February 17, 2008
Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
Obrigada por tudo... Amo-te
14/02/2008

Tuesday, February 12, 2008
Escada em Caracol
É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Sobe-se numa corrida.
Corre-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.
Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.
Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
O lastro do coração.
Sobe-se numa corrida.
Corre-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.
David Mourão - Ferreira
Saturday, January 26, 2008
Perdi-me ( continuação )
A gota penetra na terra.
O meu corpo torna-se frio. A minha cara empalidece-se e a respiração sustém-se. Deixo de sentir... de me sentir. A tristeza e a solidão anteriormente sentidas e agora livres de mim e por tudo o resto esquecidas, espalham-se por toda a terra e relembram-me nos quatro cantos do mundo.
Começa a chover. O tal corpo frio, arroxeado e agora enxarcado, volta à sua origem, à mãe natureza... porque ninguém vai sentir a sua falta. Porque o que habitava aquele corpo, todos os sentimentos e todo o amor nunca interessaram verdadeiramente e ninguém.
As brisas transformaram-se em vento, e a gota deixada no mundo mistura-se com as gotas imponentes da chuva e caí mais uma vez no esquecimento de todos e de ninguém.
Um trovão. Anuncia-se o fim.
Barulho impiedoso que transporta todas as dores leva também um último desejo de compreensão.
Um par de trovões. Acabou.
Helena Miranda
Thursday, January 24, 2008
Perdi-me
Vagueando rumo ao infinito penso em ti. Olho em meu redor e apercebo-me das estrelas intermináveis que me seguem com a sua luz simples mas fria, provocando em mim um mal estar bastante incómodo.
O sol já se pôs, e levou consigo toda a minha vontade de viver... suspeitando que não voltará a nascer, os meus olhos perdem as forças e fecham-se... Porquê continuar a lutar? Por quem?Desisto do meu objectivo e deixo-me cair sobre a terra fria e húmida. Encostada à mãe natureza, os olhos anteriormente fechados soltam uma pequenina gota translúcida e reluzente que exterioriza tudo o que há para exteriorizar... porque não vale a pena tentar ser forte... porque não vale a pena tentar mostrar o que não sou...
Invandem-me subitamente brisas geladas que arrancam de mim o que ainda sobrava... agora estou vazia. Estou completamente vazia.
Livrei-me de tudo: do desejo, do medo, da culpa, da pouca alegria, da tristeza, dos Amigos, dos amigos, da frieza do mundo, da arrogância alheia, do desejo de vingança, de TUDO, incluindo de TI.
Perdi-me contigo, perdi-me na vida, e agora perdi-me em e de mim.
Porque o meu retrato está feito e o teu também. Porque o mundo está construído e o destino está traçado... não vou, porque nao consigo embora talvez queira, lutar mais por ti.
Wednesday, January 9, 2008
Tu!
Qualquer coisa;
um sopro, um brilho
uma cor , um suspiro
um arrepio
uma forma de amar...
Tudo, nada,
Tu!
Um céu nublado
Ou uma luz que ofusca...
e um simples alguém,
que sem ti nada é, nada tem,
olha para o relógio e suspira...
Ponteiros rudes, ponteiros infiéis...
Ovelhas ronhosas
pedaços de metal,
movimento repetidamente fatal...
estupidamente, com tanto poder!...
Porque estão contra mim?
um sopro, um brilho
uma cor , um suspiro
um arrepio
uma forma de amar...
Tudo, nada,
Tu!
Um céu nublado
Ou uma luz que ofusca...
e um simples alguém,
que sem ti nada é, nada tem,
olha para o relógio e suspira...
Ponteiros rudes, ponteiros infiéis...
Ovelhas ronhosas
pedaços de metal,
movimento repetidamente fatal...
estupidamente, com tanto poder!...
Porque estão contra mim?
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