Saturday, January 26, 2008

Perdi-me ( continuação )

A gota penetra na terra.
O meu corpo torna-se frio. A minha cara empalidece-se e a respiração sustém-se. Deixo de sentir... de me sentir. A tristeza e a solidão anteriormente sentidas e agora livres de mim e por tudo o resto esquecidas, espalham-se por toda a terra e relembram-me nos quatro cantos do mundo.
Começa a chover. O tal corpo frio, arroxeado e agora enxarcado, volta à sua origem, à mãe natureza... porque ninguém vai sentir a sua falta. Porque o que habitava aquele corpo, todos os sentimentos e todo o amor nunca interessaram verdadeiramente e ninguém.
As brisas transformaram-se em vento, e a gota deixada no mundo mistura-se com as gotas imponentes da chuva e caí mais uma vez no esquecimento de todos e de ninguém.
Um trovão. Anuncia-se o fim.
Barulho impiedoso que transporta todas as dores leva também um último desejo de compreensão.
Um par de trovões. Acabou.
Helena Miranda

Thursday, January 24, 2008

Perdi-me


Vagueando rumo ao infinito penso em ti. Olho em meu redor e apercebo-me das estrelas intermináveis que me seguem com a sua luz simples mas fria, provocando em mim um mal estar bastante incómodo.
O sol já se pôs, e levou consigo toda a minha vontade de viver... suspeitando que não voltará a nascer, os meus olhos perdem as forças e fecham-se... Porquê continuar a lutar? Por quem?Desisto do meu objectivo e deixo-me cair sobre a terra fria e húmida. Encostada à mãe natureza, os olhos anteriormente fechados soltam uma pequenina gota translúcida e reluzente que exterioriza tudo o que há para exteriorizar... porque não vale a pena tentar ser forte... porque não vale a pena tentar mostrar o que não sou...
Invandem-me subitamente brisas geladas que arrancam de mim o que ainda sobrava... agora estou vazia. Estou completamente vazia.
Livrei-me de tudo: do desejo, do medo, da culpa, da pouca alegria, da tristeza, dos Amigos, dos amigos, da frieza do mundo, da arrogância alheia, do desejo de vingança, de TUDO, incluindo de TI.
Perdi-me contigo, perdi-me na vida, e agora perdi-me em e de mim.
Porque o meu retrato está feito e o teu também. Porque o mundo está construído e o destino está traçado... não vou, porque nao consigo embora talvez queira, lutar mais por ti.





Wednesday, January 9, 2008

Tu!

Qualquer coisa;
um sopro, um brilho
uma cor , um suspiro
um arrepio
uma forma de amar...
Tudo, nada,
Tu!



Um céu nublado
Ou uma luz que ofusca...
e um simples alguém,
que sem ti nada é, nada tem,
olha para o relógio e suspira...
Ponteiros rudes, ponteiros infiéis...
Ovelhas ronhosas
pedaços de metal,
movimento repetidamente fatal...
estupidamente, com tanto poder!...
Porque estão contra mim?



Tuesday, January 8, 2008

o facto de te amar

Hoje, nesta manhã fria de Janeiro, tento abstrair-me de todos os pensamentos inúteis que levam à inquietude do meu mundo. Mundo este que foi criado pelo meu subconsciente inspirado em tudo o que de obscuro e mau existe nesta vida.

De repente um silêncio instala-se em mim. Uma nulidade de sentido invade-me. Um sopro desegradável e uma decadência de luz embala-me de forma agressiva, como se se tratasse de algo que tenho de esquecer à força. É verdade... é verdade e dói. Tenho mesmo de esquecer. De rompante juntas-te ao meu pensamento, sem sequer pedires autorização... não tenho mais nada a fazer...

Lentamente vou-me lembrando de todos os momentos bons que passamos... momentos que quase me obrigam a desistir da ideia que a própria palavra desistir transmite, enquanto que, ao mesmo tempo, outra força completamente adversa insiste para que desista.

Mas... feliz ou infelizmente... eu sei que te amo. E por mais que te queira esquecer, cada vez mais me convenço que nesta vida nao tenho "quereres". Tudo e todos, todas as forças e tudo o que nao tem absolutamente nada haver comigo se agarra a mim e me tenta mudar.

Acabo de encher esta folha inicialmente vazia com mais uma outra ideia. É formada por alguma palavras que soltas nao têm sentido, mas que juntas tem por missão mudar este meu mundo que " alguém" domina: Por muito que me queiram mudar jamais conseguirás mudar pelo menos uma coisa em mim: o facto de te amar.