Sunday, January 30, 2011

A terra não é redonda

Insisto em dizer, o mundo não é redondo. O mundo é amorfo... quase que gelatinoso. Tem vida própria, gosta de se pronunciar sobre tudo. Não se pode andar descansado da vida, respirando ar puro, que esta massa terrível nos prega uma rasteira.
Filho da mãe... E não é que tem aliados? Estudos recentes advogam a existência de uma rede que se auto-controla, composta pela vida, a sorte e o mundo.
Escolheram-me a mim como alvo... "Vamos foder aquela!"
E é neste momento que me encontro. O mundo estica as raízes das árvores de vez em quando para que eu bata com o focinho no chão, o tarot não me está favorável... Enfim, a vida é uma miséria.
Sem querer magoo um e outro. Desvalorizo o que devia ser sobrevalorizado. Deparo-me com cruzamentos de saídas infinitas, em que em 99% das possibilidades irei por bom caminho... mas acabo por escolher sempre o 1% que me chama intermitentemente, quase que sublinhado a fluorescente, aquele que me leva ao buraco negro que consome esta e a próxima vida.
Como este mundo e aquele. Literalmente e não só; (é verdade, estou literalmente uma sereia - metade mulher, metade baleia orca.) Por outro lado consumo o inconsumível, bebo com os olhos até atestar a mona, lisa ou enrugada de problemas, de sobrolho carregado de misérias, embevecido pela beleza assustadora deste mundo fdp em que vivo.
Que faço eu? já nem a terra me quer. O destino embrutece-me como um puto que joga playstation até à exaustão. Não vejo nada. Vejo tudo de forma sintética, embora que sintetizando os aspectos irrelevantes.
Insisto em dizer... a terra não é redonda. A terra não anda à volta do sol.
A terra vai à deriva, infiltrada em pensamentos, linhas adversas à razão, poemas de sentimento bruto, por polir, e por isso mesmo puro como o brilho de uma estrela.
Canta alma... canta. Canta enquanto podes. Canta enquanto não sais do chuveiro, porque quando saíres terás de permanecer calada, imóvel, sentindo que o Fado te alcançou e não tens como lhe fugir.
A terra é da cor que quiseres, desde que não dê nas vistas.

Friday, January 21, 2011

Restaurante de Cristal

Desejando por vezes a eternidade da solidão
Solidão essa vil, tão febril,
Querendo-a só a ela perto de mim
Evocando-a do fundo do coração.

Como água translúcida num copo de cristal
Desejava a minha alma transparecer,
Neste silêncio obscuro que ecoa no meu ser
Sem ledos enganos,
Sem palavras, ruídos,
Fracassos humanos.

Saturday, January 8, 2011

Abílio (8-01-11)

O mundo gira ao contrário, mas ninguém se apercebe
e eu olho-o, nua de preconceitos pela janela.
O que há para além disto?
Para onde foste tu?
Reduzido a nada, reduzido a alma
Reduzido a chama apagada...
Depois de uma vida vivida
Vida cheia, cheia de tudo
Afinal cheia de nada...
Tudo acaba, tudo suprime, tudo expira

Hoje foi a tua vez... de rompante.
apanhando desprevenido quem anda a dormir
passivo, cativo...


Meu mórbido apetite de me atirar
e descobrir o mistério da humanidade,
a única certeza da vida...
o rio que corre para o mar
e encontrar-te a ti, fiel, sorrindo para mim
Abraçando-me com o teu olhar afável
Típico de quem já não teme.

Obrigada... Abílio