Morna, tépida luz de primavera
Ensanguentada por delírios de inverno...
Impar súbita avidez de ir
Ir e partir, sem vez,
Criando na fachada indiferença
Provocando doença e descrença
Só em que ousa olhar de relance.
Mas é a tua lágrima que me causa dano
falta-te pureza, a mim desengano
Porque derreter um coração por outro já levou a intempéries.
Aquela melopeia, aquela que me importuna a alma
A tocar, vagarosamente, mas sem calma
Que toda e sempre me ocupa a mente.
Improvável, pouco prudente
Ousada, irreverente
Mas que faz falta
Que apazigua a gente...
A gente que ainda pega pelos espinhos uma rosa
A gente que ousa trocar versos por prosa
Toda aquela gente, todos, eu,
Quem ainda procura ar quente...
