Wednesday, March 17, 2010

Melopeia de inverno

Morna, tépida luz de primavera
Ensanguentada por delírios de inverno...
Impar súbita avidez de ir
Ir e partir, sem vez,
Criando na fachada indiferença
Provocando doença e descrença
Só em que ousa olhar de relance.
Mas é a tua lágrima que me causa dano
falta-te pureza, a mim desengano
Porque derreter um coração por outro já levou a intempéries.
Aquela melopeia, aquela que me importuna a alma
A tocar, vagarosamente, mas sem calma
Que toda e sempre me ocupa a mente.
Improvável, pouco prudente
Ousada, irreverente
Mas que faz falta
Que apazigua a gente...
A gente que ainda pega pelos espinhos uma rosa
A gente que ousa trocar versos por prosa
Toda aquela gente, todos, eu,
Quem ainda procura ar quente...

Tuesday, March 16, 2010

Saudade

Emanando algo indefinido
cravando em memórias o olhar gélido
pensando talvez que chegou já o fim
que tudo aquilo foi liberto sem mim
sem despedidas, deixando feridas.

Mas sentindo ainda o fulgor daquelas terapias
sólidas, cultas, tremendas terapias
tão belas, tão simples, tão profundas
Que agora por saudade desvanecem imundas
Numa alma que perdeu sem saber.

Tu, ponta de caneta tão sentida e vivida
que nesta hora de reviver deslumbramento me desnudas:
Querer voltar atrás será pecado?
Reviver horas passadas levar-nos-á a algum lado?
De sorrisos, abraços, momentos...
Que pareciam tão eternos, mas enfim, tão efémeros
Que subtilmente me enganaram,
e que hoje tão sublimemente só me deixaram.