Thursday, July 15, 2010

À minha maneira


Saudades de quando a vida era minha
minha e só minha
quando a partilhava porque me apetecia
quando me apetecia, com quem queria.

Porque apesar de tudo eu sou livre.
Livre de viver, livre de sentir, dizer e fazer
Por muito arrogante que tudo isto possa parecer
Tenho saudades de escolher.

Escolher sem grandes pressões
Escolher por entre multidões
Por vezes despedaçar corações
Ou então pedir mil perdões.

A vida nao é facil, mas é isso que a torna interessante de ser vivida.

Com atropelos, desilusões
Quebra-corações
mas também alegrias
Fortes laços e emoções.
Cores vibrantes, tentações...


A minha vida, o meu espaço por preencher. Tudo aquilo que vou viver, mesmo que possa doer, da melhor maneira possível: à minha maneira.

Thursday, July 8, 2010

Criança

Com um aperto no peito que me parece demais
Evito pensar em coisas tais.
Direccionando-me para súbitos pensamentos banais...
Mas tu vales mais, muito mais.

Tanto que me fazes chorar.
Chorar por amor, chorar por te amar
Por te querer bem e não saber como nem quem
Pode mudar aquilo que te faz entristecer...
Porque de um sorriso brilhante brota o anoitecer
Frio, escuro como o breu
Porque alguém devia, mas não devolveu
A bondade com que o teu olhar abraça.

Quero-te feliz, quero-te resplandescente
Com um sorriso de criança
Beijando-me com o teu calor ardente
Nunca perdendo a esperança..

Monday, May 24, 2010

Abraço

É com um brilhozinho nos olhos que te abraço
Nesses braços ternos, quase que maternos
Onde me sinto protegida por aço
Em momentos que desejava eternos.

Calor que emanas, só para mim
Nesse nosso abraço sem fim
Em que tanto choro como rio
Pois tu és o amigo para tudo.

Perfeito, ebúrneo, abençoado,
Tão lindo o meu namorado,
Que tão essencial é para mim...





Obrigada pelo teu abraço. Amo-te Carlos

Tuesday, April 27, 2010

César

Às vezes poucas palavras são tudo
Um olhar desvanecido, mudo
E num àpice surge a resposta precipitada
A vida torna-se palco de injúrias, o mundo torna-se imundo.

E de um sopro tudo expirou.
Com tudo isto um dor cessou
E muitas outras provocou...
Resvalando pelas faces lágrimas penetrates
Enquanto os cães soltavam latidos pujantes
Naquele dia que todos assinalaram de negro.

Sunday, April 4, 2010

Olhar


Selvaticamente atroz

direccionado indubitavelmente a ti,

aquele olhar frio, feroz

Olhar de animal, olhar de gente

olhar de alma, subtilmente quente

De lince, de pensamento veloz

Wednesday, March 17, 2010

Melopeia de inverno

Morna, tépida luz de primavera
Ensanguentada por delírios de inverno...
Impar súbita avidez de ir
Ir e partir, sem vez,
Criando na fachada indiferença
Provocando doença e descrença
Só em que ousa olhar de relance.
Mas é a tua lágrima que me causa dano
falta-te pureza, a mim desengano
Porque derreter um coração por outro já levou a intempéries.
Aquela melopeia, aquela que me importuna a alma
A tocar, vagarosamente, mas sem calma
Que toda e sempre me ocupa a mente.
Improvável, pouco prudente
Ousada, irreverente
Mas que faz falta
Que apazigua a gente...
A gente que ainda pega pelos espinhos uma rosa
A gente que ousa trocar versos por prosa
Toda aquela gente, todos, eu,
Quem ainda procura ar quente...

Tuesday, March 16, 2010

Saudade

Emanando algo indefinido
cravando em memórias o olhar gélido
pensando talvez que chegou já o fim
que tudo aquilo foi liberto sem mim
sem despedidas, deixando feridas.

Mas sentindo ainda o fulgor daquelas terapias
sólidas, cultas, tremendas terapias
tão belas, tão simples, tão profundas
Que agora por saudade desvanecem imundas
Numa alma que perdeu sem saber.

Tu, ponta de caneta tão sentida e vivida
que nesta hora de reviver deslumbramento me desnudas:
Querer voltar atrás será pecado?
Reviver horas passadas levar-nos-á a algum lado?
De sorrisos, abraços, momentos...
Que pareciam tão eternos, mas enfim, tão efémeros
Que subtilmente me enganaram,
e que hoje tão sublimemente só me deixaram.